UM POUCO DA HISTÓRIA DE JUAZEIRO DO NORTE
Cícero Romão Batista, chegou em Tabuleiro Grande, distrito de sua cidade natal, Crato, no ano de 1872. Recém ordenado sacerdote, fixou residência no lugar munido de uma “visão” onde Jesus Cristo, acompanhado dos apóstolos, lhe mostrava peregrinos pobres e famintos e lhe dizia: "E você, Padre Cícero, tome conta deles".
Pe. Cícero pregava sobre a realidade sofrida do homem do sertão. Era místico, e o povo acreditava que ele pudesse adivinhar, chegando a considerá-lo um profeta. Ajudou o lugar a crescer incentivando a criação de pequenos negócios para fabricação de velas, imagens e calçados, o que gerava emprego e renda. Muitos destes negócios pertenciam ao próprio padre.
Como político, foi decisivo na luta pela emancipação de Tabuleiro Grande, que passou a se chamar Juazeiro em 22 de julho de 1911, sendo o padre eleito o primeiro prefeito. Chegou a ser vice-governador do Ceará por duas vezes. Foi o mentor espiritual na luta armada do povo da cidade contra as tropas do Estado enviadas para destitui-lo do cargo. Lampião e seus cangaceiros foram associados à vida de Pe. Cícero, ao serem chamados à Juazeiro para juntar-se à tropas organizadas para defender a região das milícias da “Coluna Prestes”.
O que provocou a explosão do crescimento em Juazeiro, no entanto, foi o que é hoje conhecido como “ o milagre de Juazeiro”. O fato, declarado embuste por uma comissão de sacerdotes, e contestado até hoje por Roma, aconteceu durante uma missa em que uma hóstia colocada por Pe. Cícero na boca da beata Maria do Araújo, teria se transformado no próprio sangue de Cristo. A Igreja Católica Romana considerou heresia, tirou os votos do padre e posteriormente o excomungou. Assim mesmo a notícia do “milagre” atraiu em pouco tempo milhares de pessoas ao lugar. Bairros inteiros foram formados pelos “pobres do padin”. Muitos que chegam, ainda hoje, vivem em condição de extrema miséria.
Cícero Romão morreu em 20 de julho de 1934. O comércio religioso criado em torno do seu nome tem sido a principal fonte de renda da cidade. Seu nome está nas praças, nas lojas , nas repartições públicas, nas ruas. Pessoas com o nome de Cícero, Batista, Romão, Romana, Cícera, são muito comuns na região nordeste.
Todo dia 20 de cada mês, os devotos vestem-se de preto e fazem uma missa na igreja onde ele está enterrado para homenageá-lo. Os religiosos de Juazeiro e Crato lutam para beatificá-lo.
AS ROMARIAS
Após a morte de Pe. Cícero, o município transformou-se em local de peregrinação e, em 1924, foi erguida uma estátua de Pe. Cícero que se tornou objeto de intensa devoção popular. Com 27 metros de altura, foi fixada na colina do Horto, local em que o "padin" costumava fazer seus retiros espirituais.
Estima-se que todos os anos Juazeiro recebe em torno de 2 milhões de romeiros vindos de todos os lugares do Brasil, principalmente do interior da Paraíba, Alagoas e Sergipe. A população de 242.000 habitantes chega a triplicar durante as romarias.
São três festas principais no ano: 23 de fevereiro (Nossa Senhora da Candeias) 15 de setembro (Festa da Padroeira Nossa Senhora das Dores) e 2 de novembro (Dia de Finados).
Os romeiros chegam a Juazeiro das mais diversas formas: “Paus-de-arara”, ônibus, bicicleta, moto, avião. Alguns vêm de outros Estados andando, descalços, carregando pedras ou cruzes. Na cidade passam o dia peregrinando pelos pontos principais como a Colina do Horto, o Santo Sepulcro (onde dizem que Jesus foi enterrado), a Via Sacra e a Capela Nossa Senha do Perpétuo Socorro, onde o Pe. está enterrado.
Na sua maioria os romeiros são velhos, que para garantir a continuidade da romaria trazem muitas crianças e jovens. Todos querem tirar uma foto na estátua, comprar uma imagem, receber uma oração do rezador, levar uma garrafa de água benta, andar pelo “passeio das almas” ou tentar equilibrar-se na pedra onde os pecados podem ser “perdoados”.
Durante as romarias, as ruas estão sempre cheias de mendigos, vendedores, pessoas vestidas de marrom, preto ou azul. À noite eles se recolhem aos “ranchos”, lugares alugados para dormir de rede, uns por cima dos outros.
Esta é considerada a festa totalmente dedicada a Pe. Cícero.